A reciclagem do lixo digital

A reciclagem é alternativa para diminuir o volume de computadores jogados fora
Dois anos
É o tempo médio de utilização dos micros nos Estados Unidos
Um efeito da era digital que ninguém previu está tirando o humor dos ambientalistas. Até 2004, deverão ser descartados 315 milhões de micros em todo o planeta. O entulho conta com a contribuição dos brasileiros: calcula-se que 850 mil máquinas ficarão obsoletas por aqui até o fim de 2001. O problema é maior do que o espaço que monitores ou teclados ocupam na lata do lixo. Muitas peças eletrônicas são feitas de metais pesados, como mercúrio, níquel, cádmio, arsênico e chumbo, com efeitos tóxicos para a saúde do ser humano.

Não dá tempo para esperar que um dia a indústria crie o computador biodegradável. O jeito de evitar que o veneno decomposto do “lixo eletrônico” afete o usuário é armazenar equipamentos em aterros industriais superprotegidos ou reciclá-los.

Em países onde o movimento ambientalista é mais forte, a reciclagem é o método mais incentivado. “Japão, França, Suécia, Alemanha e Estados Unidos desestimulam a manutenção dos aterros com a cobrança de impostos elevados”, diz a química Glória Nair Freire de Araújo, do Ceped (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento), um dos dois laboratórios de análise de pilhas e baterias credenciados no Brasil. Quem procura se livrar de um micro obsoleto deve procurar uma empresa de reciclagem. São poucas no país.

O tema da reciclagem de computadores começa a aparecer em círculos especializados. Mas, por enquanto, a Convenção de Basiléia (1989) é a única regulamentação internacional a respeito. Criada por representantes governamentais, de ONGs e de indústrias de cerca de 120 países, entre eles o Brasil, ela visa proibir o movimento de resíduos perigosos entre as fronteiras dos participantes. “A sucata eletrônica entrou na lista dos componentes vetados há apenas três anos”, diz Marcelo Furtado, coordenador de campanha do Greenpeace, um dos participantes. “Não existe controle sobre a doação de equipamentos velhos – que muitas vezes viram lixo”, alerta.

O interesse pela sucata eletrônica, em geral por parte de países em desenvolvimento, tem motivos econômicos. Muitos computadores possuem metais preciosos em sua composição, como a prata e o ouro (veja quadro). Além de valiosos, 98% do ouro e da prata podem ser reutilizados. Uma das maiores empresas de reciclagem na Itália, a Geodis Logistics, aproveita mais material. Segundo seus cálculos, 94% dos componentes de um micro são reaproveitáveis. A notícia interessou outras grandes empresas.

A IBM criou o Design for Environment, grupo que projeta peças que não agridem a natureza, como soldas sem chumbo. Outras fabricantes, como a HP, Compaq, Fujitsu, Toshiba, Dell, Sony, Sharp e Unisys participam de programas “take back” (pegar de volta). O usuário paga uma taxa no ato da compra que inclui os gastos com a devolução e reciclagem do material. É um jeito de ganhar dinheiro e acabar com o entulho.
E ntulho tecnológico
Materiais de computadores que serão descartados até 2004*Plástico 2 milhões
Chumbo 600 mil
Cádmio Mil
Cromo 600
Mercúrio 200
* Previsão em toneladasFonte: MCC (Microelectronics and Computer Technology Corporation)
Leis servem para baterias

Fabricantes e lojas autorizadas que trabalham com pilhas e baterias receberam um ultimato, no ano passado. O Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) deu 12 meses a essas empresas para encontrarem modos de recolher baterias esgotadas. O prazo venceu em 23 de julho. Daqui a um ano, a reciclagem ou o armazenamento em lugares seguros será obrigatório.

A resolução do Conama é ainda mais abrangente. Há um mês, embalagens de pilhas e baterias têm de sair da fábrica com advertências sobre os riscos que os metais podem causar ao ambiente. Pela primeira vez, a quantidade de mercúrio, cádmio e chumbo tem de seguir padrões internacionais. Mas até julho, os dois únicos laboratórios credenciados para esse tipo de análise – o Ceped e o Cetind – na Bahia não haviam recebido produtos para examinar.
D e que é feito o computador
(Em relação ao peso total)Plástico 40%
Metais 37%
Dispositivos eletrônicos 5%
Borracha 1%
Outros 17%
Materiais recuperáveis 94%
Fonte: Geodis Logistics

Resíduo lucrativo
JóiasPingente de chips e relógio com pedaços do disco rígido
Sem gastar um tostão, o técnico e informática José Carlos Valle armazenou, em um empoeirado galpão, 600 monitores, 500 teclados, além de manuais e mapas de feiras de informática. Tudo foi doado. “Quero montar o Museu do Computador até 2001”, diz o técn ico paulista, entusiasmado com a coleção (www.museudocomputador.com.br).

O empresário Antônio Pescara também junta pedaços de equipamentos. Em vez de conservá-los para uma eventual exposição, ele desmonta tudo. Das peças que não têm conserto, Pescara retira, principalmente, três metais: estanho, ouro e prata. A extração dos materiais preciosos é feita em lugares seguros, fora da sua empresa. Já o estanho é retirado por ele mesmo. “Antes de vendê-lo a preço de mercado, armazeno lingotes de uns 50 quilos”, diz. Não é pouco. Cinqüenta quilos de estanho equivalem a cerca de 333 computadores domésticos. Os clientes são fabricantes de computadores e joalheiros.

A sucata eletrônica também está virando objetos de decoração e beleza. Em São Paulo, lojas de artesanato, como Greenpeace, VivaVegan, Nature Market e Idhea, lucram com produtos criados por artistas e arquitetos de vários Estados e organizam desfiles e exposições,

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O destino do lixo digital

A reciclagem é alternativa para diminuir o volume de computadores jogados fora
Dois anos
É o tempo médio de utilização dos micros nos Estados Unidos
Um efeito da era digital que ninguém previu está tirando o humor dos ambientalistas. Até 2004, deverão ser descartados 315 milhões de micros em todo o planeta. O entulho conta com a contribuição dos brasileiros: calcula-se que 850 mil máquinas ficarão obsoletas por aqui até o fim de 2001. O problema é maior do que o espaço que monitores ou teclados ocupam na lata do lixo. Muitas peças eletrônicas são feitas de metais pesados, como mercúrio, níquel, cádmio, arsênico e chumbo, com efeitos tóxicos para a saúde do ser humano.

Não dá tempo para esperar que um dia a indústria crie o computador biodegradável. O jeito de evitar que o veneno decomposto do “lixo eletrônico” afete o usuário é armazenar equipamentos em aterros industriais superprotegidos ou reciclá-los.

Em países onde o movimento ambientalista é mais forte, a reciclagem é o método mais incentivado. “Japão, França, Suécia, Alemanha e Estados Unidos desestimulam a manutenção dos aterros com a cobrança de impostos elevados”, diz a química Glória Nair Freire de Araújo, do Ceped (Centro de Pesquisa e Desenvolvimento), um dos dois laboratórios de análise de pilhas e baterias credenciados no Brasil. Quem procura se livrar de um micro obsoleto deve procurar uma empresa de reciclagem. São poucas no país.

O tema da reciclagem de computadores começa a aparecer em círculos especializados. Mas, por enquanto, a Convenção de Basiléia (1989) é a única regulamentação internacional a respeito. Criada por representantes governamentais, de ONGs e de indústrias de cerca de 120 países, entre eles o Brasil, ela visa proibir o movimento de resíduos perigosos entre as fronteiras dos participantes. “A sucata eletrônica entrou na lista dos componentes vetados há apenas três anos”, diz Marcelo Furtado, coordenador de campanha do Greenpeace, um dos participantes. “Não existe controle sobre a doação de equipamentos velhos – que muitas vezes viram lixo”, alerta.

O interesse pela sucata eletrônica, em geral por parte de países em desenvolvimento, tem motivos econômicos. Muitos computadores possuem metais preciosos em sua composição, como a prata e o ouro (veja quadro). Além de valiosos, 98% do ouro e da prata podem ser reutilizados. Uma das maiores empresas de reciclagem na Itália, a Geodis Logistics, aproveita mais material. Segundo seus cálculos, 94% dos componentes de um micro são reaproveitáveis. A notícia interessou outras grandes empresas.

A IBM criou o Design for Environment, grupo que projeta peças que não agridem a natureza, como soldas sem chumbo. Outras fabricantes, como a HP, Compaq, Fujitsu, Toshiba, Dell, Sony, Sharp e Unisys participam de programas “take back” (pegar de volta). O usuário paga uma taxa no ato da compra que inclui os gastos com a devolução e reciclagem do material. É um jeito de ganhar dinheiro e acabar com o entulho.
E ntulho tecnológico
Materiais de computadores que serão descartados até 2004*Plástico 2 milhões
Chumbo 600 mil
Cádmio Mil
Cromo 600
Mercúrio 200
* Previsão em toneladasFonte: MCC (Microelectronics and Computer Technology Corporation)
Leis servem para baterias

Fabricantes e lojas autorizadas que trabalham com pilhas e baterias receberam um ultimato, no ano passado. O Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) deu 12 meses a essas empresas para encontrarem modos de recolher baterias esgotadas. O prazo venceu em 23 de julho. Daqui a um ano, a reciclagem ou o armazenamento em lugares seguros será obrigatório.

A resolução do Conama é ainda mais abrangente. Há um mês, embalagens de pilhas e baterias têm de sair da fábrica com advertências sobre os riscos que os metais podem causar ao ambiente. Pela primeira vez, a quantidade de mercúrio, cádmio e chumbo tem de seguir padrões internacionais. Mas até julho, os dois únicos laboratórios credenciados para esse tipo de análise – o Ceped e o Cetind – na Bahia não haviam recebido produtos para examinar.
D e que é feito o computador
(Em relação ao peso total)Plástico 40%
Metais 37%
Dispositivos eletrônicos 5%
Borracha 1%
Outros 17%
Materiais recuperáveis 94%
Fonte: Geodis Logistics

Resíduo lucrativo
JóiasPingente de chips e relógio com pedaços do disco rígido
Sem gastar um tostão, o técnico e informática José Carlos Valle armazenou, em um empoeirado galpão, 600 monitores, 500 teclados, além de manuais e mapas de feiras de informática. Tudo foi doado. “Quero montar o Museu do Computador até 2001”, diz o técn ico paulista, entusiasmado com a coleção (www.museudocomputador.com.br).

O empresário Antônio Pescara também junta pedaços de equipamentos. Em vez de conservá-los para uma eventual exposição, ele desmonta tudo. Das peças que não têm conserto, Pescara retira, principalmente, três metais: estanho, ouro e prata. A extração dos materiais preciosos é feita em lugares seguros, fora da sua empresa. Já o estanho é retirado por ele mesmo. “Antes de vendê-lo a preço de mercado, armazeno lingotes de uns 50 quilos”, diz. Não é pouco. Cinqüenta quilos de estanho equivalem a cerca de 333 computadores domésticos. Os clientes são fabricantes de computadores e joalheiros.

A sucata eletrônica também está virando objetos de decoração e beleza. Em São Paulo, lojas de artesanato, como Greenpeace, VivaVegan, Nature Market e Idhea, lucram com produtos criados por artistas e arquitetos de vários Estados e organizam desfiles e exposições.

O lixo digital

Por que reciclar?
Já não podemos ver a reciclagem como uma alternativa estritamente artesanal e sim como uma necessidade. O lixo digital encontrado nas calçadas deflagra a falta de informação das possibilidades de aproveitamento deste material, que pode ser transformado e reaproveitado. Retirar alguns componentes de valor e desprezar outros, prática comum, não minimiza a poluição ambiental. Hoje quem procura vender aparelhos baseando-se no projeto lei 1991/07 que versa a respeito de resíduos sólidos, além de ter lucro colabora na preservação da natureza ao dar destino correto ao lixo tecnológico. Quem fabrica produtos de origem reciclável, além de reduzir seus custos de produção ao reutilizar matérias-primas de qualidade, associa a sua marca a um procedimento sustentável. E finalmente quem compra produtos avaliando o ciclo de vida de uma mercadoria, torna-se na prática, um consumidor comprometido (Consumidor que faz a escolha de sua compra com base no ciclo de vida do produto, adotando uma postura ecologicamente correta), indo muito além do conceito de consumidor responsável (Consumidor ciente que ao descartar um produto deve dar o destino correto, ou seja, com o fim de reaproveitar seus resíduos).

Como descartar lâmpadas fluorescentes?

As lâmpadas fluorescentes desempenham um papel muito importante na redução do consumo de energia. Cada unidade de 12 watts, equivalente a uma lâmpada incandescente comum de 60 watts, permite uma economia de 2 reais todo mês na conta de luz, além de durar muito mais tempo (8 mil horas contra 750 horas das lâmpadas comuns). Agora faça as contas de quantas lâmpadas você tem em casa e veja quanto poderia economizar de energia se trocasse todas por modelos fluorescentes. Bastante, certo?

O problema com as fluorescentes aparece na hora de jogá-las no lixo. Por conter mercúrio, uma substância tóxica, elas precisam ser descartadas em local apropriado, para não contaminar pessoas e o meio ambiente. No entanto, não há uma política pública de coleta desse tipo de material, e os consumidores acabam descartando no lixo comum.

Existem algumas empresas que fazem a reciclagem das lâmpadas fluorescentes, mas elas são muito poucas para o volume comercializado hoje: são apenas 10 em todo o país, segundo o portal Coleta Seletiva Solidária, mantido pelo Ministério do Desenvolvimento Social. E, em geral, elas só atendem empresas, que utilizam grandes quantidades dessas lâmpadas em suas instalações.

Para o consumidor, resta contar com a boa vontade de alguns lojistas, que aceitam receber lâmpadas usadas na compra de unidades novas. Na cidade de São Paulo, por exemplo, a loja CIME oferece esse serviço para seus clientes.

Tomara que muito mais gente siga esse exemplo e facilite a vida do consumidor que queira contribuir para a reciclagem das lâmpadas. Ou que se crie uma legislação consistente para tratar melhor do assunto, como já se fez com as baterias de celulares, cujos fabricantes são obrigados a receber o material descartado pelo consumidor.

fonte:http://sustentavelmundonovo.blogspot.com/2009/06/como-descartar-lampadas-fluorescentes.html

Por: Carolina Baiochi, Joao Victor Frare, Mateus Almeida, Julio Franco, Carolina Forte,Lorenzo Antunes
8° ano

NA PIA NÃO!!!

blog construído para divulgar o projeto de coleta de óleo de cozinha no colégio, pelos alunos do 7º ano

desastre ambiental na costa americana no Golfo do México

A Agência Espacial Americana, Nasa, divulgou nesta terça-feira uma imagem da mancha de óleo no Golfo do México. O vazamento, correspondente a cerca de mil barris de petróleo por dia, ocorre em decorrência da explosão de uma plataforma de petróleo nos Estados Unidos e pode provocar um desastre ambiental, dizem as autoridades.

A imagem, capturada no dia 25 de abril, foi obtida pelo satélite Aqua. A mancha no mar já chega a 1,5 mil quilômetros quadrados na costa do Estado da Louisiana. A plataforma Deepwater Horizon explodiu e afundou na semana passada, depois de ficar dois dias em chamas. Segundo as autoridades locais, o vazamento de óleo tem potencial para danificar praias, ilhotas e manguezais na costa da região.

A BP vem usando os submarinos, equipados com câmeras, para tentar fechar as válvulas e parar o vazamento a 1,5 km de profundidade. A operação deve durar de 24h a 36h e não há garantias de que ela será bem sucedida. Se a iniciativa falhar, a alternativa seria abrir um poço vizinho ao que está vazando e desviar o fluxo de petróleo, algo que levaria meses.

Onze funcionários da plataforma continuam desaparecidos e acredita-se que eles tenham morrido no acidente. Mais de cem funcionários foram resgatados antes de as buscas terem sido encerradas. Segundo as autoridades locais.

A plataforma realizava perfurações exploratórias 84 km ao sudoeste de Venice, na Louisiana, quando ocorreu a explosão. A empresa também acionou mais de 30 navios e vários aviões para espalhar agentes dispersantes sobre a mancha de óleo, mas os esforços foram suspensos no fim de semana por causa do mau tempo.

Por enquanto, as condições meteorológicas estão mantendo a mancha distante da costa e especialistas esperam que as ondas ajudem a “quebrar” a mancha, permitindo que o óleo endureça e desça para o chão do oceano.

Prioridade
Inicialmente, a guarda costeira acreditava estar lidando apenas com um vazamento residual na superfície, mas depois constatou que havia óleo vazando de canos. No ano passado, a BP foi multada em US$ 87 milhões por não ter melhorado as condições de segurança depois de uma enorme explosão que provocou a morte de 15 pessoas em uma refinaria na cidade do Texas.

O Serviço de Administração Mineral dos Estados Unidos tinha realizado inspeções de rotina na plataforma Deepwater Horizon em fevereiro, março e abril deste ano, sem encontrar nenhuma violação às normas de segurança. A causa da explosão ainda não foi identificada.

Na última quinta-feira, o presidente americano, Barack Obama, disse que seu governo está oferecendo “toda assistência necessária” para o resgate e para os esforços de limpeza na região. Ele descreveu a crise na plataforma operada pela BP como a “prioridade número um” de seu governo.

(Fonte: noticias.terra.com.br)

Leonardo Boff ante a Conferência sobre o Clima (Copenhague): ‘A Terra não aguenta

Três crises em uma: a de sustentabilidade, a social e a do clima;

* O drama da eco-miopia;

* O atual caos é criativo e generativo;

* Somente a sociedade civil internacional pode salvar o planeta.

Entrevista com Leonardo Boff

Sergio Ferrari*, desde a ONU/Genebra, Suíça

A crise ambiental aparece no primeiro plano midiático anterior à Conferência do Clima, de Copenhague, Dinamarca, a realizar-se em 13 de dezembro próximo. As perspectivas não são otimistas por falta de um consenso prévio para alcançar um acordo definitivo. “Apesar dos prognósticos sombrios, tenho confiança de que a esperança vencerá o medo e que a vida é mais forte do que a morte”, assegura o teólogo brasileiro Leonardo Boff, ao iniciar esta entrevista exclusiva, durante sua recente visita a Suíça.

Boff, um dos pais fundadores da teologia da libertação, recebeu no dia 7 de novembro, o Doutorado Honoris Causa da Universidade de Neuchâtel. Anteriormente, na mesma semana, animou um debate público organizado pelas ONGs de cooperação solidária E-CHANGER, e Misión de Belém Immensee, na Casa de Solidariedade Romero (RomeroHaus), em Luzerna, do qual participaram 200 pessoas.

P: Todo mundo fala da problemática ecológica vivida pelo planeta. Você foi um dos primeiros, nos anos 80, a alertar sobre esse tema. Qual é sua análise da atual situação meio ambiental?
Leonardo Boff: Há muitos indicadores científicos que apontam para o surgimento de uma tragédia ecológica e humanitária. Nada essencial mudou desde a redação da Carta da Terra, em 2003, que elaboramos um grupo de personalidades do mundo inteiro. Dizíamos nesse maravilhoso documento: “Estamos em um momento crítico da Terra no qual a humanidade deve escolher seu futuro. E a eleição é esta: ou se promove uma aliança global para cuidar aos outros e à Terra ou arriscamos nossa destruição e a devastação da diversidade da vida”.

“Consome-se mais do que a Terra suporta”

P: Uma afirmação cortante que não aceita termos médios. Como se sustenta?
Boff: Na atual confluência de três crises estruturais. A crise devido à falta de sustentabilidade do planeta Terra; a crise social mundial; e a crise de aquecimento crescente.

P: Você pode exemplificar essa afirmação?
Boff: Em âmbito social, quase a metade da humanidade vive hoje abaixo do nível de miséria. As cifras são são aterradoras. 20% mais ricos consomem 82,49% de toda a riqueza da Terra e 20% mais pobres têm que se contentar com um minúsculo 1,6%.
Quanto ao aquecimento da Terra, a FAO (Organização da ONU para a Alimentação), já advertiu que nos próximos anos haverá entre 150 e 200 milhões de refugiados climáticos. As previsões mais dramáticas falam de um aumento, em 2035, de 4ºC. E especula-se para o final do século um aumento de 7ºC. Se isso realmente acontecer, nenhum tipo de vida hoje conhecido poderá sobreviver. Quanto à crise de sustentabilidade, dou um exemplo ilustrativo: a humanidade está consumindo 30% a mais da capacidade de reposição. Isto é, 30% a mais do que a própria Terra pode repor.

P: No entanto, esta tendência consumista do planeta não é nova…
Boff: Não. Porém, o que é novo são os níveis acelerados desse deterioro. Segundo estudos dignos de todo crédito, em 1961, precisávamos da metade da Terra para dar resposta às demandas humanas. Em 1981, acontecia um empate, isto é, já necessitávamos da Terra inteira. Em 1995, superamos os 30%. A Terra está dando sinais inequívocos de que já não aguenta mais.

“Em alguns anos, serão necessárias duas Terras”

P: Com perspectivas futuras todavia mais preocupantes?
Boff: Se o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) mundial se mantém entre 2-3% ao ano, como está previsto, em 2050 necessitaríamos de dois planetas Terra para dar resposta ao consumo, o que é impossível porque contamos com somente uma.

P: Isso nos obriga a começar a pensar em outro paradigma de civilização?
Boff: De fato! Não podemos produzir como vimos fazendo até agora. O atual modelo de produção, o capitalista, parte do falso pressuposto de que a Terra é como um grande baú do qual se pode tirar, indefinidamente, recursos para obter benefícios, com o mínimo investimento possível, em tempo mais curto. Hoje, fica claro que a Terra é um planeta pequeno, velho e limitado, que não suporta uma exploração ilimitada. Temos que orientar-nos para outra forma de produção e assumir hábitos de consumo distintos. Produzir para responder às necessidades humanas em harmonia com a Terra, respeitando seus limites, com um sentido de igualdade e de solidariedade com as gerações futuras. Esse é o novo paradigma de civilização.

Copenhague: a influência do poder econômico

P: Voltando ao aqui e agora… Em poucas semanas se realiza em Copenhague a Conferência sobre o Clima. Há perspectivas de um acordo?Boff: Há uma premissa chave. Devemos fazer todo o possível para estabilizar o clima, evitando que o aquecimento da terra seja maior do que 2-3 graus e que a vida possa continuar. Ao compreender que esse aquecimento já implicaria em devastação da biodiversidade e o holocausto de milhões de pessoas, cujos territórios não serão mais habitáveis, especialmente na África e no sudeste asiático. Preocupa-me nesse cenário a irresponsabilidade de muitos governos, especialmente dos países ricos, que não querem estabelecer metas consistentes para a redução das emissões de gases de efeito estufa e salvar o clima. Uma verdadeira eco-miopia!

P: Isso provem de uma falta de vontade política para chegar a acordos?
Boff: Sobretudo, de um conflito de interesses. As grandes empresas, por exemplo as petroleiras, não querem mudar porque perderiam seus enormes lucros atuais. Temos que entender a interdependência do poder político com o econômico. O grande poder é o econômico. O político é uma derivação do econômico. Os Estados, em muitos casos, não representam os interesses dos povos, mas dos grandes atores econômicos.

P: Em caso de um fracasso em Copenhague, qual seria o cenário posterior ante a grave situação climática?
Boff: Em minha opinião, se acontece uma frustração política, isso pode significar um enorme desafio para a sociedade civil. Para que se mobilize, pressione e promova as mudanças que sempre vem de baixo. Confio nisso: a razão, a prudência, a sabedoria virá da sociedade civil. Em relação ao clima, ela será também o principal sujeito histórico. Nenhuma mudança real vem de cima, mas de baixo. E, apesar do difícil do presente, tenho a confiança de que não se trate de uma tragédia que acabará mal, mas de uma crise que purifica e que nos permita dar um salto na direção de um futuro melhor.

P: Com um programa comum para salvar a Terra?
Boff: Impulsionando uma biocivilização que deverá promover quatro eixos essenciais. O uso sustentável, responsável e solidário dos limitados recursos e serviços da natureza. O controle democrático das relações sociais, especialmente sobre os mercados e os capitais especulativos. Um ethos mínimo mundial que deve nascer do intercâmbio multicultural, enfatizando na compaixão, na cooperação e na responsabilidade universal. E a espiritualidade como dimensão antropológica e não como um monopólio das religiões. Deve desenvolver-se como expressão de uma consciência que se sente parte de um Todo maior, que percebe uma Energia poderosa e que representa o sentido supremo de tudo.

*Sergio Ferrari
Colaboração de imprensa de E-CHANGER, ONG suíça de cooperação solidaria

Hora de agir pelo clima.

Abaixo Assinado


Acorda! Chegou a hora de salvar nosso futuro, e sua assinatura faz muita diferença.
De 7 a 18 de dezembro de 2009, lideranças de todo o planeta estarão reunidas em Copenhague para firmar acordos mundiais sobre a grave ameaça das mudanças climáticas. É inquestionável que este problema já está em curso, com efeitos dramáticos e potencialmente catastróficos para todos nós.

Ainda é tempo de evitar o pior, mas é preciso agir imediatamente! A transição para uma economia de baixo carbono pode trazer grandes benefícios, mas isso depende de como agirmos agora.

O Brasil tem papel fundamental nessa luta, já que é um líder nas negociações internacionais, mas também um dos maiores emissores mundiais de gases do efeito estufa. Mas sua postura ainda é tímida quando se trata de assumir decisões firmes e ousadas para sanar o problema. Falha também ao não dar o exemplo, colocando em prática no país, todo o discurso que apresenta no exterior.

Por isso nós, abaixo-assinados, reivindicamos que – além de implementar as necessárias políticas nacionais – as autoridades brasileiras assumam JÁ o compromisso de defender ativamente no plano internacional o avanço para um acordo climático global que possa, no mínimo:

Garantir que o aquecimento global ficará bem abaixo dos 2oC em relação à média histórica, estabelecendo metas e mecanismos para que, antes de 2020, comecem a decrescer as emissões globais de gases do efeito-estufa.
Reduzir as emissões dos países desenvolvidos em pelo menos 45% até 2020, frente aos níveis de 1990.
Estabelecer objetivos mensuráveis, verificáveis e reportáveis para redução substancial das emissões de países em desenvolvimento emergentes e em rápido crescimento econômico, viabilizados por medidas apropriadas a cada país.
Apresentar medidas concretas de mecanismos e compromissos de aportes financeiros para apoiar países em desenvolvimento na estabilização e posterior redução de emissões, e na sua adaptação às mudanças climáticas.
Aprovar a criação de soluções e mecanismos de REDD (Reduções de Emissões Associadas ao Desmatamento e à Degradação Florestal), justos e aplicáveis a curto prazo.
Promover a sustentabilidade e dignidade do desenvolvimento humano e a integridade dos processos ecológicos, mediante a transformação da economia e o fortalecimento da democracia.

Tic TAC TIC TAC

O TEMPO É CURTO PARA O PLANETA!!!

ESTA É SUA CHANCE DE FAZER A DIFERENÇA.

Abaixo Assinado TicTacTicTac
Acorda! Chegou a hora de salvar nosso futuro, e sua assinatura faz muita diferença. Ainda é tempo de evitar o pior, mas é preciso agir imediatamente! A transição para uma economia de baixo carbono pode trazer grandes benefícios, mas isso depende de como agirmos agora.

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Década atual é a mais quente de todos os tempos.

Década atual é a mais quente de todos os tempos, diz estudo
08 de dezembro de 2009 • 10h16 • atualizado às 15h16

cúpula aquecimento (int,gal,195)
08 de dezembro de 2009
Foto: AP
A primeira década do século foi até agora a mais quente dos registros do escritório britânico de meteorologia, o Met Office.
Novos dados divulgados nesta terça-feira mostram que, embora 1998 tenha sido o ano mais quente desde 1850, a década de 2000-09 foi a que registrou maiores temperaturas neste período de 160 anos.
A década do ano 2000 superou em 0,40 ºC a média de 1961-1990, de 14ºC.
Isto quer dizer que esta década foi mais quente que os anos 1990, que ficou 0,23ºC acima da média usada para comparação e registrou, por sua vez, temperaturas mais altas que os anos 1980.
“Estes números sublinham que o mundo continua a registrar aumentos de temperatura, principalmente devido à elevação das emissões de gases que causam o efeito estufa na atmosfera”, disse o Met Office, em seu comunicado.
Para o órgão, os dados mostram que “o argumento de que o aquecimento global já parou é falho”.
As informações foram divulgadas em Copenhague, no segundo dia da reunião da ONU que procura buscar um acordo de redução de gases estufa em substituição ao Protocolo de Kyoto, que expira em 2012.
Em um estudo separado, a Organização Mundial de Meteorologia (OMM) divulgou uma medição quase igual à do Met Office e estimou que o ano de 2009 já é o quinto mais quente da sua medição, que também remonta a 1850.
Segundo o estudo, o ano foi de temperaturas acima do normal na maior parte dos continentes.
“Climas extremos, incluindo enchentes devastadoras, secas rigorosas, tempestades de neve, ondas de calor e de frio foram registrados em várias partes do mundo”, afirmou o relatório.
América do Sul
Na América do Sul, Austrália e sul da Ásia, os eventos de calor extremo chamaram atenção. O outono na região austral, que inclui o sul do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, registrou “calor extremo”, disse a organização.
Entre março e maio, foram registradas temperaturas diárias que alcançaram 30ºC e 40ºC, que bateram recorde diversas vezes.
No fim de outubro, o norte e o centro da Argentina foram afetados por uma extrema seca, com temperaturas acima de 40ºC, enquanto o sul da região viu precipitações de neve, raras e fora de época.
Já no Ártico, durante a estação sazonal de derretimento, a camada de gelo chegou ao seu terceiro menor nível desde que a medição começou, em 1979 – 5,1 milhões de quilômetros quadrados.
Essa extensão só foi maior que a dos anos de 2007 (4,3 milhões de quilômetros quadrados) e 2008 (4,67 milhões de quilômetros quadrados), que bateram recorde de perda de gelo.
“Estamos em uma tendência de aquecimento, não há dúvida disso”, disse o diretor-geral da (OMM), Michel Jarraud.

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